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Palestrantes

Palestra de Abertura

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"PODER E VIOLÊNCIA NOS SISTEMAS ALGORÍTMICOS: UMA ABORDAGEM PELA TEXTUALIDADE ALGORÍTMICA"

Prof. Dr. Júlio Araújo (UFC-CNPq)

Resumo: Nesta conferência, proponho a textualidade algorítmica como categoria teórico-analítica para compreender as transformações contemporâneas das práticas discursivas. Parto do princípio de que, nas ecologias digitais, a produção de sentidos envolve sujeitos humanos, rastros comportamentais, infraestruturas computacionais e respostas automatizadas que interferem nas condições de visibilidade, reconhecimento e participação social. Para examinar esse circuito, apresento o Triângulo Discursivo da Textualidade Algorítmica, constituído por três instâncias interdependentes: o Texto-Prompt, que compreende solicitações voluntárias e dados capturados a partir de gestos, hábitos e percursos; o Texto-Algoritmo, entendido como a gramática infraestrutural que processa, classifica e hierarquiza esses registros; e o Texto-Resposta, que devolve ao espaço social conteúdos, recomendações e representações investidos de autoridade técnica. Discuto como esse modelo amplia o campo de observação da Linguística Aplicada Crítica ao incorporar as operações computacionais que participam da produção e da circulação dos discursos. Examino, ainda, as reconfigurações das categorias de face, interação e agência em ambientes nos quais sujeitos podem ser classificados sem conhecer os critérios que orientam sua legibilidade algorítmica. Para demonstrar a produtividade do modelo, analiso três casos de violência racial: a criminalização imagética da deputada Renata Souza, o rebaixamento profissional automatizado da nutricionista Bruna Oliveira e a animalização racista das integrantes do projeto cultural As Negas do Ziriguidum. Compreendo esses acontecimentos como formas de necroalgoritmização que atingem a reputação, restringem oportunidades e negam reconhecimento ontológico a pessoas negras. Ao final, defendo que o algoritmo constitui uma forma de texto porque produz diferenças, organiza regimes de inteligibilidade e participa materialmente da ordenação do mundo social. Considero sua leitura crítica uma tarefa incontornável para os estudos contemporâneos da linguagem.
 

Palavras-chave: Textualidade algorítmica. Linguística Aplicada Crítica. Necroalgoritmização.

Mesa-redonda 1

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"INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, FORMAÇÃO DOCENTE E COLONIALISMO DIGITAL: DESAFIOS ÉTICOS DOS ALGORITMOS"

Prof. Dr. Marco Aurélio Costa Pontes (CEFET-MG)

Resumo: A expansão da Inteligência Artificial (IA) tem produzido transformações significativas nas práticas educacionais e colocado novos desafios para a formação docente. Nesse contexto, o desenvolvimento de competências para o uso de ferramentas de IA precisa ser acompanhado de uma compreensão crítica acerca dos algoritmos, dos dados e das relações de poder que permeiam sua produção e utilização. A discussão parte de reflexões desenvolvidas em pesquisa de doutorado (Pontes, 2025) sobre as relações entre formação docente, tecnologias digitais e colonialismo digital, particularmente da compreensão de que essas relações envolvem movimentos simultâneos de apropriação, resistência, negociação e alinhamento. A apresentação discutirá o colonialismo digital como uma dimensão das relações contemporâneas de poder, marcada pela concentração de dados, infraestruturas, tecnologias e capacidade de decisão em grandes corporações, produzindo novas formas de dependência tecnológica e assimetrias na produção e circulação do conhecimento. A partir de contribuições do pensamento decolonial e do colonialismo de dados (Quijano, 2005; Walsh, 2013; Maldonado-Torres, 2007; Faustino; Lippold, 2023), serão problematizados os desafios éticos relacionados à IA, incluindo a suposta neutralidade dos algoritmos, a utilização de dados, os vieses e a reprodução de desigualdades por sistemas automatizados. Por fim, serão discutidas as implicações desses processos para a formação docente, defendendo-se uma atuação crítica e ética, capaz de reconhecer relações de poder, questionar a neutralidade tecnológica e fortalecer a agência dos professores diante da expansão da IA na educação.

Palavras-chave: Inteligência Artificial; formação de professores; colonialismo digital.

Mesa-redonda 1

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"A MÃO E A MÁQUINA: A NOÇÃO DE AUTORIA EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA"

Prof. Dr. Rogério de Castro Ângelo (IFTM)

Resumo: O advento das Inteligências Artificiais Generativas (IA Gen), com os Large Language Models (LLMs), tais como o ChatGPT, Gemini e Claude, tem provocado uma transformação significativa na concepção tradicional de autoria. Na área dos Estudos Linguísticos, o sujeito-autor é compreendido não como a fonte única e soberana do sentido, mas como um efeito ideológico que emerge na relação complexa entre a linguagem e a história. Nesta mesa-redonda, discorrerei sobre dois projetos de pesquisa em andamento complementares em que nos propusemos a investigar como a intervenção das LLMs afeta a noção de autoria a partir da perspectiva da Análise do Discurso (AD) de filiação pecheutiana (Pêcheux, 1975, 1982), numa interface com a Linguística Aplicada Indisciplinar (Moita Lopes, 2006) buscando identificar e analisar as marcas de heterogeneidade discursiva, nos termos de Jacqueline Authier-Revuz (1990) (heterogeneidade marcada e constitutiva), em textos produzidos com e sem o auxílio dessas ferramentas de IA generativa. Além disso, abordarei a recente normativa da CAPES relacionada ao uso de IA em pesquisas, buscando analisar as representações sobre a ética em pesquisa e sobre integridade acadêmica.

Palavras-chave: Inteligência artificial. Linguística Aplicada. Análise do Discurso. Heterogeneidade discursiva.

Mesa-redonda 1

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"ENTRE LINGUAGEM E INFRAESTRUTURA: INTERPRETAÇÃO AUTOMÁTICA E OS IMPACTOS SOCIOPOLÍTICOS E AMBIENTAIS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL"

Prof. Dr. Flávio de Sousa Freitas (GETTEC-UFU)

Resumo: A rápida expansão da inteligência artificial (IA) tem produzido transformações que ultrapassam o campo tecnológico e alcançam dimensões sociais, políticas, econômicas e ambientais. Sistemas capazes de gerar textos, imagens, traduções e decisões automatizadas passam a mediar atividades cotidianas, relações de trabalho, processos educacionais e formas de acesso à informação. Nesse contexto, compreender a inteligência artificial exige considerá-la não apenas como ferramenta, mas como parte de sistemas sociotécnicos constituídos por interesses econômicos, infraestruturas materiais, decisões políticas e relações de poder. Esta apresentação propõe discutir criticamente algumas das principais questões sociopolíticas relacionadas à expansão da IA, tomando como um de seus eixos a interpretação automática, tecnologia que busca possibilitar a comunicação oral entre falantes de diferentes línguas por meio de sistemas de tradução automática de fala. A crescente capacidade desses sistemas suscita questões sobre automação, transformação do trabalho, qualidade da mediação linguística, responsabilidade por erros e redefinição do papel de intérpretes humanos. Mais amplamente, também serão discutidos aspectos como concentração tecnológica, desigualdades de acesso, utilização massiva de dados, transparência e controle das tecnologias de IA. A exposição abordará ainda a dimensão material e ambiental desses sistemas. Embora frequentemente apresentada como uma tecnologia imaterial ou localizada na “nuvem”, a inteligência artificial depende de centros de dados, redes de comunicação, produção de equipamentos, consumo de energia, utilização de água e cadeias globais de extração de recursos. A interpretação automática, assim como outras aplicações de IA, integra essa infraestrutura e permite observar como benefícios comunicacionais podem coexistir com custos sociais e ambientais. Mais do que perguntar o que a IA é capaz de fazer, torna-se necessário discutir quem desenvolve essas tecnologias, quem se beneficia de sua utilização, quais atividades humanas são transformadas por elas e quais impactos sociais e ambientais estamos dispostos a aceitar em nome da automação.

Palavras-chave: Inteligência artificial; interpretação automática; impactos sociopolíticos e ambientais.

Mesa-redonda 2

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"INDÍCIOS DE UM ESTUDO DE CASO NA ÁREA DE LETRAS SOBRE A PRODUÇÃO E NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADOS NA CIÊNCIA"

Profa. Dra. Marcela Henrique de Freitas (IFSertãoPE)

Resumo: Nesta apresentação, mostrarei resultados de minha tese de doutorado, desenvolvida no PPGEL/UFU, que investigou a revisão por pares, um problema maldefinido, mediante acesso às "vozes" dos agentes envolvidos no processo. Buscou-se elucidar aspectos sociológicos e linguísticos que entremeiam: 1) a voz do editor em relação aos processos editoriais, com enfoque nos processos de revisão por pares, mediante uma entrevista não estruturada; 2) as vozes de alguns pareceristas mediante análise de seus pareceres, alterações controladas ou comentários no corpo do texto ou balões do editor de textos, adotando-se o software Atlas.ti como ferramenta de exploração inicial dos dados e a Teoria das Estruturas Retóricas (RST – do inglês, Rhetorical Structure Theory) e o Sistema de Avaliatividade (SA) como fundamentação teórica das análises; e 3) a voz de alguns autores mediante análise do teor de suas respostas aos pareceres e transformações no manuscrito para atender ou não às demandas dos pareceristas. Metodologicamente, o estudo de caso compreende os manuscritos e respectivos pareceres de um volume da Revista Letras & Letras (L&L) no ano de 2022, A três pareceres, B dois pareceres e C um parecer. O teor desses manuscritos e respectivos pareceres foi explorado por meio de uma análise de conteúdo (Bardin, 2016) realizada por Inteligência Artificial (IA) na ferramenta Atlas.ti, que é investigado manualmente com base nas categorias oriundas do SA. Este estudo da área de Letras nos revela que se trata de um processo oculto, de dimensões maldefinidas, em que os apontamentos e as explicações nem sempre são claros o suficiente sobre o que deveria ser corrigido no texto. De forma geral, não foi possível identificar uma relação de complementaridade/convergência entre os pareceres fornecidos a um mesmo manuscrito. É válido pontuar a limitação espaço-temporal do presente recorte e a ausência da diversidade de periódicos. A presente tese pode dialogar com o tema da mesa redonda ao tratar o problema de pesquisa em questão partindo de um ponto tecnológico, com adoção de software para auxílio na análise de dados qualitativos como recurso para análise preliminar, relacionando, dessa forma, tecnologias à análise linguística.

Palavras-chave: Linguística Sistêmico-Funcional (LSF). Revisão Por Pares. Teoria das Estruturas Retóricas (RST). Sistema de Avaliatividade (SA).

Mesa-redonda 2

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"ENTRE O AFETO E A DISPUTA POLÍTICA: CONTRASTES COLOCACIONAIS E JUÍZOS DE VALOR EM TORNO DA ALIMENTAÇÃO"

Profa. Dra. Bianca Mara Guedes de Souza (ESAMC Uberlândia)

Resumo: Nesta apresentação discuto o papel das ferramentas computacionais da Linguística de Corpus na descrição lexicogramatical e na análise do funcionamento valorativo do léxico em discursos especializados. Tomando como objeto a cobertura jornalística sobre alimentação e políticas alimentares, investigo como recursos do software Sketch Engine, especialmente as ferramentas Word Sketch e Collocations, viabilizam o mapeamento empírico de restrições semânticas e juízos avaliativos subjacentes a escolhas lexicais recorrentes. A discussão está fundamentada no contraste sistemático do comportamento combinatório dos substantivos comida e alimento entre um corpus especializado de jornalismo investigativo, O Joio e o Trigo ou CorJT, e um corpus representativo da língua geral contemporânea, Portuguese Web ou ptTenTen23. Enquanto no discurso comum as unidades coocorrentes associadas a esses itens ancoram-se predominantemente em domínios afetivos, culinários, culturais e identitários (como típica, caseira, deliciosa e gostosa), no corpus especializado os mesmos lemas sofrem severas restrições combinatórias que os afastam da neutralidade cotidiana. No jornalismo realizado pelo Joio, estabelece-se uma acentuada polarização política estruturada pela classificação técnica e nutricional: de um lado, é colocado um polo valorativo positivo, associado a saudável, fresco e orgânico; de outro, institui-se um polo negativo, marcado por colocações com ultraprocessado, industrializado e porcaria. Portanto, o trabalho consegue mostrar como tecnologias de corpus ultrapassam a quantificação mecânica, neste caso, ilustrado por como o ato de qualificar alimentos mobiliza enquadramentos de disputa simbólica, transformando itens básicos da experiência humana, como a comida, em núcleos conceituais de denúncia e crítica estrutural ao sistema alimentar contemporâneo.

Palavras-chave: Linguística de Corpus; Sketch Engine; Padrões colocacionais.

Mesa-redonda 2

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"O USO DA TECNOLOGIA COMPUTACIONAL PARA A EXPLORAÇÃO DE MUNDOS TEXTUAIS"

Prof. Dr. Raphael Marco Oliveira Carneiro (UFU)

Resumo: O uso de tecnologia para a análise linguística, aqui representado pela Estilística de Corpus, e a formulação de teorias linguísticas de base cognitiva, aqui representada pela Estilística Cognitiva, tiveram desenvolvimentos independentes no decorrer dos estudos da linguagem. Contudo, há um crescente reconhecimento de que a combinação dessas áreas é produtiva. Por terem o uso linguístico como principal aspecto em comum, os corpora se tornam fontes naturais de dados para investigações de questões linguístico-cognitivas. Assim, o objetivo desta fala é apresentar uma perspectiva de uso de tecnologia para a exploração de textos em uma abordagem linguístico-cognitiva, tecendo considerações sobre teoria, método e análise. Essa proposta inclui a interface entre Estilística de Corpus e Estilística Cognitiva pela via da Teoria de Mundos Textuais. Enquanto a Estilística de Corpus busca descrever o estilo de textos por meio de métodos computacionais, que normalmente incluem programas de análise lexical, como o popular WordSmith Tools, a Estilística Cognitiva busca explicar as relações entre textualidade e processos cognitivos, contribuindo para a investigação de como processamos, compreendemos e respondemos aos textos que lemos. A abordagem é ilustrada com exemplos de The Handmaid's Tale de Margaret Atwood na tentativa de compreender como diferentes mundos textuais contribuem para a experiência de leitura do romance e para a modelagem da mente de sua narradora. O uso de corpus favorece a observação de padrões linguísticos, que por sua vez constituem portas de entrada para o estudo de padrões cognitivos, como a projeção de mundos textuais. Esses mundos são representações construídas nas mentes dos falantes ao processar um discurso, resultantes da conjunção entre os elementos linguísticos do texto e os conjuntos de conhecimentos dos participantes de um evento de linguagem. De modo geral, conclui-se que o uso de ferramentas computacionais potencializa a investigação de fenômenos linguístico-cognitivos em textos.

Palavras-chave: Estilística Cognitiva; Estilística de Corpus; Teoria de Mundos Textuais.

Palestra de Encerramento

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"EXISTE VIDA ACADÊMICA APÓS A IA?"

Profa. Dra. Marileide Dias Esqueda (UFU)

Resumo: A partir da provocação “Existe vida acadêmica após a IA?”, tema de encerramento da IV Escola de Verão em Estudos Linguísticos (edição de 2026), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia, esta conferência propõe desconstruir a própria ideia de que existia uma “vida acadêmica” plena e idealizada a priori. Para tanto, analisa-se em que medida a inteligência artificial afeta os Estudos Linguísticos, confrontando as respostas da IA sobre as tendências de pesquisa na área com a realidade do trabalho docente e discente na pós-graduação. Ao final, abre-se um espaço interativo para discutir e redefinir o que significa, afinal, pensar cientificamente a linguagem no cenário contemporâneo.

Palavras-chave: Estudos Linguísticos; Produção Acadêmica; Inteligência Artificial.

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